O MAL DE PORTUGAL CHAMA-SE SOCIALISMO

A doença de que padecemos tem um nome: EXCESSO DE ESTADO, ou numa palavra: SOCIALISMO

sexta-feira, maio 22

E o Futuro? O Futuro somos nós


Um programa partidário é uma coisa maçadora de ler, algo que, há mesmo quem diga, não vale a pena ler. Mas vale a pena ler o Programa Eleitoral do Partido Socialista, apresentado por António Costa. Mais que as medidas (fantasiosas, umas; regressivas, outras; já em curso, algumas delas) vale a pena analisar a mentalidade, os preconceitos que estão por detrás do programa, e a vacuidade e a assintonia com o mundo moderno que presidem à linguagem. O programa eleitoral do PS é um documento exemplar da imobilidade e do atraso que os socialistas nos prometem, da intervenção asfixiante que se propõem na sociedade e na economia, e da ruína que garantem caso fossem levados ao governo. Eis o que nos propõe o PS.

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Um Estado socialista omnisciente, omnipresente e asfixiante
O Estado, dizem os socialistas, é que sabe, o Estado é melhor que a liberdade cível e económica. Apesar das baixas taxas de crescimento e mesmo da estagnação que sempre resultaram das suas políticas, apesar de bancarrota de 2010, apesar do actual crescimento apoiado nas empresas privadas e nas exportações, apesar do inédito saldo comercial positivo, apesar do superavit primário, os socialistas mantêm-se fiel ao seu credo arcaico e proclamam que é «preconceito de que os privados são mais competentes e eficazes que o Estado.» Para o demonstrar, o PS chega a argumentar com os casos de PT e BES, sem reparar, obviamente, que são casos típicos, não de privados, mas de conluios opacos com o Estado socialista.
Neste ambiente, toda a modernidade, a comunicação electrónica, por exemplo, suscita a suspeita socialista. Depressa tratariam disso, pois propõem-se «criar mecanismos de monitorização e avaliação dos sistemas eletrónicos, públicos e privados, de registo e arquivamento de dados pessoais». O que não se controla, vigia-se.
As empresas privadas não precisaram da ajuda do Estado, mas o PS insiste em ajudar. Por isso, entende que deveria «promover a correta implementação de uma marca Portugal e a sua promoção e divulgação junto de produtores e consumidores».Sempre a mesma fantasia das campanhas públicas feitas por amigos, com pressupostos e alvos errados.
E como o Estado quer estar, agir, intervir, o Estado tem que arranjar dinheiro. Desta vez o dinheiro aparece através de novo aumento do IRS. Ele vem mascarado de «revisão», mas, sabido que os escalões mais baixos estão isentos, é de aumento da contribuição de quem já paga que se trata. Diz o PS que quer «aumentar a progressividade do IRS, nomeadamente através da revisão dos escalões e da eliminação gradual da sobretaxa» e «criar um imposto sobre heranças de elevado valor». O PS, que defende a estabilidade da política fiscal, anuncia, caso seja eleito, mudar a política fiscal: aumenta o IRS e volta atrás na baixa do IRC. Quer pagar mais impostos? Vote PS.

O PS dos gastos e das obras
Com o PS, promete o PS, o Estado trabalha menos e gasta mais. Começa pelos horários dos funcionários públicos, que devem ser aliviados com «o regresso ao regime das 35 horas semanais de período normal de trabalho para os trabalhadores em funções públicas» e com o número dos mesmos funcionários públicos que, naturalmente, é para crescer através da «injeção de “sangue novo” na Administração Pública». Eles vão estar por todo o lado, vai haver novos cargos para toda a gente com «a abertura de novas lojas do cidadão (…) A abertura de balcões multisserviços (…) A criação de unidades móveis de proximidade, que visem assegurar um serviço público de qualidade nos territórios de baixa densidade populacional (…) promoção da utilização assistida de serviços de apoio eletrónicos.» O Estado ajuda, o Estado cresce.
E pouco interessam os gastos, o que interessa são os resultados, como na Parque Escolar, se as escolas ficam com mármore, que importa que o mármore seja caro, o que interessa é «implementar programas orçamentais» que tenham «como objetivo associar a utilização de recursos públicos à obtenção de um certo resultado, colocando a sua ênfase nos resultados e não nos recursos. Este modelo facilitará a avaliação da eficiência da despesa pública, uma vez que permitirá comparar imediatamente os resultados alcançados com os recursos utilizados.» Sai caro? Pois. Mas é mais fácil.
Mas o PS tem medo de que as pessoas se lembrem dos aeroportos de Beja e da OTA, do descalabro económico das PPPs, das cinco autoestradas Porto-Lisboa, dos TGVs irresponsavelmente optimistas. Por isso promete que só fará obras megalómanas com apoio parlamentar de 2/3. É a imagem de seriedade. Mas – que diabo! – nada obsta a que entretanto se crie uma dúzia de organismos e centros onde se coloque gente séria. E é isso que o PS faz, ao proclamar «a necessidade de reconstituir Centros de Competência no Estado, que previnam os riscos de captura do interesse público por via do outsourcing.» Vamos a isso, vamos constituir novos gabinetes, novas comissões, novos núcleos, pois «devem ser constituídos a partir dos laboratórios associados, centros de competências nas diferentes áreas técnicas essenciais ao planeamento, apreciação de projetos e fiscalização da execução de infraestruturas», e mais «um centro de competências de análise custo-benefício, de modelos financeiros e de contratação jurídica, comum ao conjunto da Administração Estadual», e mais «um Conselho Superior de Obras Públicas», e mais a «reintrodução da figura dos auditores jurídicos e obrigatoriedade do seu acompanhamento das negociações dos processos mais relevantes de contratação pública», ui, como o emprego vai melhorar.
É que essas coisas de gastos públicos têm que ser vistas com o relativismo do olhar socialista. Como se sabe, dizem os socialistas, todos os cortes são cortes cegos, e, por isso, na organização da administração pública «é preciso romper com a lógica dos cortes cegos». É como na Saúde. O governo PSD/CDS cortou nos gastos da saúde, logo, cortou mal porque «gastar menos não é gastar melhor». Logo, o PS«compromete-se, até ao final da legislatura, a criar 100 novas Unidades de Saúde Familiar, assegurando a atribuição de médicos de família a mais 500 mil habitantes».


O PS que suspeita das empresas e da iniciativa privada
O liberalismo é uma coisa horrível, pensa o PS, o investimento e a actividade privada são suspeitos até prova em contrário, os mercados é que tramaram os socialistas, os mercados são uma coisa abominável, um casino. Por isso, garante o PS, é preciso«assegurar a regulação eficaz dos mercados». Se não fossem os mercados ninguém tinha dado pela irresponsabilidade criminosa do PS; é preciso pôr na ordem os mercados, e, assim, depois de atribuir a crise portuguesa a puros factores externos, «o PS considera essencial investir no reforço da eficácia das entidades de regulação e supervisão nacionais». Como? «Dotar as entidades reguladoras de uma maior capacidade de fiscalização e de intervenção, nomeadamente preventiva, em termos de verificação de idoneidade, gestão danosa, defesa da concorrência e proteção dos consumidores». É uma promessa de total discricionariedade? É. Mas eles não gostam de mercados. É tudo neoliberalismo. O PS promete combater o neoliberalismo, onde quer que ele esteja.
Na saúde, onde avisa que vai «avaliar as experiências hospitalares existentes em regime de parceria público-privada (PPP) explicitando as suas vantagens e inconvenientes de modo a introduzir melhorias corretoras ou revisoras»
Na habitação onde promete começar por adiar a actualização das rendas, assim insistindo no que trouxe o mercado imobiliário à situação anómala de ser obrigatório comprar casa, por não haver casas para arrendar. O PS insiste no passado, e, como reconhece que deu maus resultados (créditos incobráveis, endividamento familiar, etc) quer agora deitar em cima deles o dinheiro dos contribuintes. Promete «promover a reabilitação dos edifícios degradados e a reocupação dos edifícios e fogos devolutos, designadamente alargando os incentivos e benefícios fiscais à reabilitação», e «criar um “Fundo Nacional de Reabilitação do Edificado”, com capitais e gestão pública» e «financiar, mediante procedimento concursal, pelo menos 25 Planos de Ação Locais para a reabilitação de áreas urbanas, com vista à execução de intervenções físicas em centros históricos e áreas urbanas desfavorecidas» e «reforçar a capacidade dos municípios de se substituírem aos proprietários incumpridores e realizarem obras coercivas e condicionadas em prédios devolutos ou em ruína» (resultado, esquece convenientemente o PS, das rendas ridículas).
Os «privados» (os eleitores, as pessoas normais, você) , insiste o PS, não são dignos de confiança. Há que cortar favores, regalias e previsibilidade a proprietários e investidores imobiliários, por exemplo, tudo gente horrível que quer substituir-se à sabedoria e acção do Estado. Por isso, o PS promete-lhes a «eliminação do regime de incentivos fiscais atribuídos aos Fundos de Investimento Imobiliário, mantendo apenas os benefícios atribuídos aos restantes promotores de reabilitação urbana»e o «agravamento da taxa de IMI aplicável a prédios urbanos de habitação ou frações, a partir de um valor a definir, que não sejam utilizados para habitação própria e permanente do proprietário».
O PS está disposto a ir até onde for preciso contra os privados, a nacionalizar, até (desde que a nacionalização seja de borla, é claro). Começará pela EGF, propondo-se«travar o processo de privatização da EGF, com fundamento na respetiva ilegalidade e desde que tal não implique o pagamento de indemnizações ao concorrente escolhido pelo Governo PSD/CDS».

O Estado à moda de Sócrates
A «aposta nas energias renováveis» com que Sócrates enfeitava o seu «dinamismo» foi, sob um disfarce de modernidade, um caso exemplar de desgoverno e atribuição de rendas excessivas. As energias renováveis de Sócrates traduziram-se na maior factura de electricidade industrial e doméstica da Europa, e na garantia de lucros inexplicáveis a alguns agentes seleccionados. Não se sabe se houve corrupção e luvas, mas é em situações destas que elas surgem.
E no que respeita a energia, o PS de António Costa quer reinstaurar a política de Sócrates (Em todas as vertentes principais, Costa quer reinstaurar a políticas de Sócrates – ele era número dois, no fim de contas). Como Sócrates, também Costa quer«liderar a transição energética». E visto que todos os dias renega o crescimento apoiado nas exportações e nas boas contas, o PS alucina agora que «a economia portuguesa tem de voltar a crescer» (não reparou que cresce como nunca cresceu com os socialistas) «mas deve fazê-lo seguindo um modelo de sustentabilidade. Isso implica adotar uma visão integrada da temática ambiental, do desafio energético e da aposta numa mobilidade eficiente, sempre com um forte cunho de inovação.» Compreenderam? Em resumo: eles apostam e inovam; vocês pagam.

O PS dos subsídios e das ajudas
Se não fosse o Estado, se não fossemos nós, esta gente não se mexia, diz paradoxalmente o PS, apesar do seu amor acrisolado à dependência. Há que apoiar, há que subsidiar, há que apoiar os nossos com o dinheiro dos outros. E assim, fica combinada, nomeadamente, a «criação de uma incubadora para testar projetos inovadores na Administração Pública que sejam propostos por entidades públicas, centros de investigação, empresas privadas ou entidades do setor social» e mais a «criação de uma bolsa de fundos públicos, eventualmente com uma componente cofinanciada por fundos comunitários, para premiar projetos inovadores no setor público» e mais a «instituição de um sistema de prémios para trabalhadores ou grupos de trabalhadores que contribuam para a inovação na Administração Pública» e mais, a criação no domínio do ambiente de um«“Superfundo Ambiental”, concentrando os diferentes fundos ambientais atualmente existentes (designadamente o Fundo Português de Carbono, o Fundo de Intervenção Ambiental, o Fundo de Proteção dos Recursos Hídricos, o Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade e, eventualmente, o Fundo de Eficiência Energética), de modo a obter um instrumento com maior capacidade financeira para atuar na preservação dos recursos naturais, na prevenção de riscos e na reparação de danos ecológicos». Não tema: se houver área amiga a subsidiar ou financiar eles inventarão subsídios e financiamentos. Veja-se a Cultura, por exemplo, o PS nunca deixaria desvalida uma Cultura subsídio-dependente e débil. O actual governo é pérfido, o PS é benfazejo. O PS promete dar dinheiro: «O PS entende como essencial a prossecução de políticas que valorizem e dignifiquem autores e artistas e melhorem as condições inerentes ao exercício da sua atividade profissional através de melhor proteção dos seus direitos, melhor acesso a apoios e financiamento e menor instabilidade laboral. A valorização dos criadores nacionais exige igualmente a sua divulgação em Portugal e no estrangeiro o que implicará, por um lado, um novo impulso às redes de difusão cultural nacional que contribuem para facilitar o acesso à cultura em todo o território nacional e, por outro lado, esforços concertados de promoção externa de forma a potenciar a internacionalização cultural e artística». Nunca mais emigram Tordos.

O PS amigo dos amigos
O programa do PS mostra preocupações com a Justiça, domínio a que atribui genericamente a necessidade de «analisar», e «reorganizar» e, é claro, corrigir os «cortes cegos». Isso é para o povo. Mas não se pode deixar entregues à sua má sorte os políticos amigos, que ainda agora vêm sendo alvo de tantas perseguições injustas. Pois não se apoquentem, o PS programa «valorizar a actividade política». Como? Com a «a garantia de proteção e defesa do titular de cargos políticos ou públicos contra a utilização abusiva de meios judiciais e de mecanismos de responsabilização como forma de pressão ou condicionamento». Sim, que isto de responsabilizar chefes e membros de governo não pode ser. Com o PS haverá uma«delimitação rigorosa e objetiva das situações em que deva existir responsabilização financeira dos titulares de cargos políticos e públicos». Parece-vos que, à luz desta vontade, alguns responsáveis políticos estariam em menos maus lençóis do que estão efectivamente hoje? Há-de ter sido por acaso…

O PS da ilusão de sucesso e do facilitismo
Na escola, como no país, o que os socialistas querem é regressar à ilusão de sucesso, porque as avaliações descobrem ignorância extrema em alguns professores e produzem «retenções» nos maus alunos. Na escola, o que o PS quer é acabar com a avaliação de professores e alunos, para que mesmo que tudo esteja mal, os números por fim digam que tudo está bem: «O PS implementará o seu programa no ensino básico com o objetivo principal de garantir que todas as crianças e jovens concluem os primeiros nove anos de escolaridade com uma educação e formação de qualidade, alicerçadas numa ampla variedade de aprendizagens no domínio das artes, das ciências sociais, das ciências naturais, das línguas estrangeiras, da educação física, da matemática, da língua portuguesa e da cidadania e rejeitando a redução do currículo que tem ocorrido nos últimos anos» E, assim recuperados os curricula risíveis e inúteis, o PS ainda se propõe tratar de «atenuar os efeitos negativos das transições entre ciclos, assumindo uma gestão mais integrada do currículo e reduzindo a excessiva carga disciplinar dos alunos», coitadinhos, e, haja o que houver, garantir «o sucesso educativo de todos os alunos», ou, se querem ainda mais claro, «garantir … o progresso escolar e não a discriminação precoce». E, confessa o PS com espantosa candura, se isto fosse feito, ficaria assegurado que «no final da legislatura, a retenção seja um fenómeno meramente residual». E se a avaliação externa não fizer coro com esse sonho de sucesso geral e colectivo? Ora, põe-se a avaliação externa entre parêntesis. Ou, nas palavras dos socialistas, trata-se de «melhorar a avaliação externa das aprendizagens, designadamente a realizada através de provas nacionais no fim de cada ciclo, aprofundando a sua articulação com a avaliação interna.» O «aprofundamento», é sabido, resolve tudo.
E visto que os alunos serão sempre bem-sucedidos, não vale a pena chatear os professores para que sejam qualificados. O PS promete-lhes, pois, «rever o processo de recrutamento de educadores e professores, suspendendo a realização da chamada Prova de Avaliação de capacidades e Conhecimentos».
E já que estão com a mão na massa do facilitismo vistoso, os socialistas prometem relançar o Magalhães. Vão, dizem eles: «conceber e implementar uma estratégia de recursos digitais educativos, que promovam a criação, disseminação e utilização de conteúdos digitais no processo de aprendizagem, assente em comunidades de prática com autores, produtores, professores, alunos e pais». E repõem-se as novas oportunidades de Sócrates: «Revitalizar a educação e formação de adultos enquanto pilar central do sistema de qualificações, através da ativação de uma rede nacional de centros especializadas em educação-formação de adultos no atendimento, aconselhamento, orientação e percursos de aprendizagem, com base nas reais necessidades de qualificação dos diferentes territórios/sectores económicos».
E como o facilitismo quando nasce é para todos (e apesar da comprovada falta de seriedade e qualidade científica de diversas instituições de ensino superior), o PS promete degradar ainda mais também o ensino universitário. E por isso pretende«alargar a base de recrutamento dos candidatos ao ensino superior e a qualificação dos portugueses, estimulando a aprendizagem ao longo da vida e valorizando um quadro diversificado de instituições universitárias e politécnicas» e «garantindo a implementação sistemática de práticas pedagógicas verdadeiramente centradas no estudante e estimulando a sua autonomia».Sócrates, por exemplo, pensa que é engenheiro. Devemos respeitar a sua autonomia.

A Esquerda velha que julga conformar o homem novo
Os arcaicos socialistas insistem que com eles é que aprenderíamos. Também este programa eleitoral do PS se mantém fiel a essa crença na construção de um homem novo, não como o homem novo gostaria, mas antes como os socialistas o sonham. Se a Igreja católica tem dúvidas, começa-se por relativizar a Igreja católica, um ódio que os jacobinos nutrem, embora tenham que disfarçá-lo. Mas o PS é mais inteligente que o pernicioso Afonso Costa. O PS vem de mansinho. Relativiza e promete a«reconfiguração da Comissão para a Liberdade Religiosa, aumentando a sua abrangência e operatividade, reforçando o pluralismo da sua composição (de forma a integrar representantes de outras confissões com expressão crescente) e a sua missão de promoção da convivência e diálogo entre confissões e, entre estas e os não-crentes». Livres dos padrecos, todos de mãos dadas, todos iguais, porque as culturas são iguais e bárbaros e eruditos são da mesma cepa, então será possível promover a «interculturalidade». A interculturalidade, o relativismo e a sua propagação entre os inocentes com «a educação intercultural desde os três anos»,com a inclusão da «temática da interculturalidade na formação de professores»,com a retoma dos «seminários sobre interculturalidade para os média e a atribuição do prémio de jornalismo pela diversidade cultural», com a promoção«através das autarquias, de iniciativas que valorizem a diversidade e promovam a interculturalidade». Esse homem intercultural e relativizado até se movimentará melhor, não beberá, não fumará, os casais de senhores ou de senhoras adoptarão à vontade, todos morrerão quando quiserem, poder-se-á até amar o animal doméstico, e todos recusarão o automóvel egoísta, nem será preciso «promover os modos de transporte suaves, como a bicicleta e o pedonal» em alternativa aos transportes públicos, vai ser uma poupança desatada.

O PS da língua de pau e do discurso bacoco
A maior parte do programa Eleitoral do PS é um mar de platitudes e vazio. É uma maçada ler, mas é leitura admirável. É quando o PS está mais à vontade na sua pele, a propor coisas difusas e inúteis a quem não as quer nem precisa delas. O PS, diz o PS, vai «melhorar a qualidade da democracia», porque quando os eleitores recusam as políticas do PS, o PS acha que a democracia não presta; «aplicar um choque de gestão ao sistema judicial», pois a reforma da justiça não foi feita pelos socialistas, necessitando, portanto, de ser chocada; «corrigir os erros da extinção de freguesias a regra e esquadro» (ainda que não se saiba se os erros existem, pois o PS dedica ao tema três linhas em que promete «avaliar»); cerrar os punhos e «promover a saúde através de uma nova ambição para a Saúde Pública»; estender a mão e «reativar um pacto de confiança no ensino superior»;  franzir o sobrolho e «reagir ao desafio demográfico»; sorrir-nos e «promover a qualidade de vida»; meter-se numa chavasca e «estabelecer uma presença efectiva no mar», nomeadamente«promovendo um melhor ordenamento do mar», enquanto olha para o ar a fim de«explorar a interacção Mar-Ar»; assustar a Andaluzia ao «afirmar o Interior como centralidade no mercado ibérico»; amorosamente «valorizar e promover os produtos regionais»; partir numa cruzada para «descarbonizar profundamente a economia» e «proteger a natureza» toda; «expandir e tornar mais atractivo o regadio», supõe-se que sem descurar o sobreiro, e «garantir a sanidade animal»; e, por último mas não por fim – que seria de Portugal inteiro sem eles? –«manter vivas a cultura, as artes e a memória». Tudo em Acordês, é claro, que eu fui corrigindo onde calhou.        
               
O PS sem vergonha nenhuma
Ao tratar do «Portugal Global» o PS começa por dizer esta coisa extraordinária: «Os últimos anos corresponderam a uma fragilização da posição portuguesa à escala global.»
Julgar-se-ia que (mais valeria tarde do que nunca) os socialistas se penitenciavam pelos anos de irresponsabilidade e ruína interna, acompanhadas de falta de credibilidade e humilhação externa do seu último governo. Julgar-se-ia que, embora breve, se tratava de referência e contrição pelo desgoverno do PS e de Sócrates.
Mas não, afinal o PS insiste que os males são «em muito resultante de uma opção por uma intervenção de baixo perfil no Mundo e na Europa que o Governo PSD-CDS optou por seguir».
O baixo perfil da contas certas, do crescimento, das exportações, da baixa de IRC, de respeitabilidade internacional, das taxas de juro negativas, da solvabilidade e dos cofres cheios, do aplauso internacional a um caminho difícil após a bancarrota socialista, tudo isso o PS condena. O PS aplaude e quer regressar ao dinamismo e à gestão de Sócrates, agora pelo seu braço direito.

sábado, março 28

Historinhas de encantar

Pasmo com a credulidade em torno do recluso 44.
Acabem lá com isso. O homem não é de esquerda nem de direita nem de centro, é apenas um psicopata sem escrúpulos à procura de uma escada que rapidamente encontrou no PS (depois de ter tentado no PSD) que mostrou ser uma organização mais maleável ou permissiva para levar um malandro destes ao estrelato. Improvável mas possível.
Mas é aqui que agora a porca torce o rabo. Porquê? Pelo silêncio. Que disse o PS sobre este manifesto erro de casting? Nada. Pior que isso, o seu patrão mor saltou logo ao terreiro para defender um crápula suspeito de actividades mafiosas de alto coturno que envolveram toda a cúpula do aparelho do Estado, e que terá beneficiado quem? quem (para além dos nomes já públicos)? Que diz o PS agora, com estas novidades sobre o famoso livro não escrito por ele e com milhares de exemplares encomendados? Outra vez nada. O que leva a suspeitar com grande grau de certeza que a cúpula do PS sabia de tudo, encobriu tudo, e anda de cabeça perdida a ver a sua organização em risco, e a perguntar quem mais se seguirá. Se o raciocínio está correcto o Partido Socialista tornou-se uma máfia. Não é novidade. Aconteceu em Itália com o Craxi (curiosamente outro amigo de peito do patrão mor). Se o PS quer ter alguma coisa a dizer ao país nos próximos 30 anos tem de resolver este assunto já. Mas é já. Porque a comunicação social é claramente de esquerda, anda atarantada sem guia e sem rumo, mas quando lhes cheirar a sangue, não vai ser bonito de ver.

domingo, fevereiro 8

É com esta conversa para boi dormir que se ganham eleições

Entrevista Fictícia A António Costa

  • [Entrevistador] – Olá António Costa. O que acha o senhor sobre a austeridade?
  • [António Costa]- A austeridade não é o caminho. A austeridade está a matar a confiança dos cidadãos pelo projeto político que é a Europa.
  • [E] – É contra a austeridade, portanto. E que defende então?
  • [AC] – É preciso travar a austeridade, combater a crise social e promover o crescimento económico.
  • [E] – E como se propõe a fazer isso?
  • [AC] – Apostando na educação, em investimento público estruturante e numa leitura inteligente do tratado orçamental.
  • [E] – Como se traduz isso em termos de despesa, receita e défice?
  • [AC] – O investimento estruturante, com uma leitura inteligente do tratado orçamental, não conta para o défice.
  • [E] – Mas conta para a dívida, certo?
  • [AC] – É preciso fazer uma leitura ainda mais inteligente. Eu defendo que se criem alternativas para o problema europeu. Só haverá mudança a sério na Europa quando também houver mudança nos governos de direita.
  • [E] – E em relação à dívida?
  • [AC] – A dívida não é causa, é consequência de um problema de fundo, que tem a ver com a insuficiente arquitectura da zona euro e com a dificuldade que as economias menos competitivas têm tido desde o início do século de se adaptarem a este novo ambiente resultante da globalização, do alargamento a Leste, do choque do euro.
  • [E] – Pode explicar melhor?
  • [AC] – O euro não pode ser só uma moeda comum. Tem que ser uma moeda que dê resultados positivos para todos e não seja uma moeda que contribuiu só para o desenvolvimento de cinco países e dificulta a competitividade e o crescimento em todos os outros países. A moeda única deve ser “acompanhada por mais coesão, por mais convergência económica”.
  • [E] – Pode elaborar?
  • [AC] – O projecto europeu, a sua cultura e os seus valores requerem a solidariedade e o reforço da coesão entre os 28 estados membros.
  • [E] – Mas por exemplo, a Alemanha já é um grande contribuidor líquido.
  • [AC] – Quem é o grande beneficiário da existência do euro é a Alemanha. No dia em que a Alemanha saísse do euro o marco alemão sofria certamente uma apreciação como a do franco há pouco tempo.
  • [E] – Segundo esse raciocíno, então para Portugal ser mais competitivo defende o equivalente a uma desvalorização da moeda, por exemplo através de uma redução generalizada dos salários. Como é que explica então que defenda o aumento do salário mínimo?
  • [AC] – Pode a Europa ambicionar um crescimento assente na competição de baixos salários com outras zonas de miséria absoluta que existem no mundo? A Europa que tem futuro é uma Europa que aposta numa economia assente no conhecimento, que aposta na inovação, na eficiência energética, nas infra-estruturas de alta qualidade, que aposta nessa nova economia.
  • [E] – Bem, mudando de assunto. Como se financia este modelo de estado-social tendo em conta o crescimento económico e as alterações demográficas?
  • [AC] – O modelo social nunca foi um modelo de caridade, mas sim um modelo de eficiência económica. E é precisamente esta crise social que tem vindo a comprometer a economia europeia. Sabemos hoje que nunca teríamos crescido tanto sem esse modelo social. O modelo social europeu não é um entrave ao crescimento, é uma condição do crescimento. E garantir aos pensionistas de hoje a confiança nas suas pensões é garantir a todos os activos confiança nos descontos que fazem no futuro das suas pensões.
  • [Entrevistador] – Muito obrigado pelas clarificações. Estou certo de que os nossos leitores terão ficado inteiramente esclarecidos.

quarta-feira, outubro 29

DECO Procura clientes estúpidos para poder faturar mais

No momento em que o Estado lança novos impostos sobre os combustíveis - a chamada taxa verde - o que implicará já na próxima semana um aumento de preço por litro de entre 5 e 6 centimos, a DECO anuncia uma campanha de pressão sobre os fornecedores de combustíveis para fazer baixar o preço.

E parece que já tem 410.000 subscritores.

Que tal fazer antes uma campanha contra os impostos sobre os combustíveis que representam em Portugal 59,2% do valor total do produto?

Essas 410.000 assinaturas não seriam muito mais bem empregues?

quinta-feira, outubro 9

Quando o Governo rouba ao Pedro para dar ao Paulo pode sempre contar com o apoio do Paulo

via Eduardo Freitas do blogue Espectador Interessado  que traduziu e a quem agradeço 

7 de Outubro de 2014
Por Brandon Dutcher

O que o governo central e Bernie Madoff têm em comum
(What the Feds and Bernie Madoff Have in Common)

Bernard Madoff
Ao longo dos anos, o condenado Bernard Madoff, responsável pelo esquema ponzi que defraudou os seus investidores, doou "generosamente" milhões de dólares a instituições de beneficência - investigação do cancro, hospitais, teatros, escolas, etc. Pelo menos uma dessas organizações de caridade fez investimentos junto de Madoff, onde os fundos se evaporaram.

Mas Madoff não é o único que dá dinheiro às pessoas após ele lhes ter sido subtraído em primeiro lugar. Os dirigentes políticos de hoje angariam votos e aplausos dando presentinhos ao Zezinho, mas não se dão ao incómodo de dizer que a totalidade da conta vai direitinha para o cartão de crédito do Zezinho.

O ano escolar recomeçou, e "milhares de estudantes mais poderiam estar a usufruir do almoço escolar completamente grátis", noticia Jake Grovum na Stateline, "graças a um programa federal que se iniciou há quatro anos que finalmente se está a expandir a todos os 50 estados". (Finalmente!)



"A expansão é possibilitada pela denominada “Disposição de Elegibilidade Comunitária”, aprovada pelo Congresso e promulgada pelo presidente Barack Obama em 2010 como parte de uma medida mais ampla dirigida à nutrição escolar", noticia a Stateline. Ela veio abrir as portas em cada distrito aos almoços grátis ou de preço reduzido e proporcionar refeições a todos os alunos em cada escola, sem nenhum custo para eles e sem que seja necessário apresentar candidatura, independentemente do rendimento familiar. Nos termos da referida Disposição, o governo federal paga apenas uma parte da expansão, cabendo aos estados pagar o remanescente".

A Stateline acrescenta que o custo final para os contribuintes "é um ponto de interrogação que paira sobre o programa. O Gabinete de Orçamento do Congresso (CBO) estimou em 2010 que mais de 2200 escolas participariam até o final da década, a um custo de mais de 100 milhões de dólares. O CBO estima [agora que] todo o Programa Escola de Almoços Escolares irá custar 11,9 mil milhões de dólares no próximo ano fiscal".

Mas é claro que o Congresso e o presidente Barack Obama não têm 100 milhões de dólares, e não dispõem certamente de 11,9 mil milhões de dólares. Na verdade, de acordo com o Departamento do Tesouro, a dívida pública total do país já ultrapassa os 17,7 milhões de milhões[trillions, no original - N.T.] de dólares. Por outras palavras, Washington tem que devolver 17,7 trillions, nos termos do autor Mark Steyn, "apenas para voltar a não ter nada de nada".

Os nossos dirigentes políticos não são diferentes do sr. Madoff, que admitiu que a sua empresa de investimento pagou aos investidores "com o dinheiro que não estava lá".

Aqui no meu estado de origem, a afiliada da CBS em Oklahoma City informa que "o Departamento federal da Agricultura dos EUA está a fornecer refeições gratuitas às escolas em 52 locais no distrito escolar público de Oklahoma City. As escolas abrangidas são capazes de fornecer o pequeno-almoço e almoço grátis a todos os alunos, e não apenas àqueles que se candidataram a receber refeições gratuitas ou a preço reduzido”.

A afiliada da CBS em Tulsa, provavelmente sem se dar conta de não há almoços grátis, noticia que milhares de crianças em Muskogee "estão a ter acesso a almoço e pequeno-almoço gratuitos, independentemente do rendimento das suas famílias, uma vez que sete escolas de Muskogee estão agora a servir refeições grátis a todos".

Refeições gratuitas para todos. Mais uma pequena intromissão por parte do estado social que provoca o enfraquecimento da família ao assenhorar-se de uma outra das suas funções. Esta evolução deveria ser lamentada; em vez disso, é comemorada.

Afinal, os pais agora "não têm de se preocupar com as refeições a preços acessíveis para os seus filhos", refere com entusiasmo Kim Hall das Escolas Públicas de Muskogee. "Eles podem simplesmente tomar o pequeno-almoço e o almoço gratuitos.”

Um pai de Muskogee referiu que os funcionários da escola lhe disseram que "estavam a retribuir à comunidade". É certo que sim. Madoff também devolveu à comunidade - chegando mesmo a concretizar dádivas generosas para um programa dirigido a alunos carenciados.

Nuns noticiários que vi, os repórteres entrevistaram funcionários governamentais sobre esta nova dádiva e, naturalmente, registaram comentários de pais agradavelmente surpreendidos. Como George Bernard Shaw nos ensinou, "um governo que rouba a Pedro para dar a Paulo pode sempre contar com o apoio de Paulo”.

Pela sua parte, a Stateline pelo menos reconheceu as realidades fiscais, informando que "em alguns casos, a ideia de expandir um programa da rede de segurança a todos os alunos - independentemente da sua situação financeira - foi tida por alguns como irresponsável".

A Stateline citou um porta-voz do distrito escolar de Fort Wayne, no Indiana, que afirmava que "há uma certa percentagem de pessoas que consideram ser isto um excesso e que o governo federal não deveria pagar refeições a todas estas crianças  e que é necessário que os pais têm que ser responsáveis".

O jornalista Roger Friedman observou certa vez que Bernie Madoff "gostava de espalhar" os seus ganhos ilícitos para "conseguir ter uma boa imagem". Isto, evidentemente, é repreensível.

Mas quando a conta do seu cartão crédito tiver que ser saldada, o Zezinho vai descobrir que o resultado não é melhor quando é o governo a fazer exactamente a mesma coisa.

sexta-feira, julho 18

Lá como cá


sexta-feira, maio 30

Se a estupidez tivesse outro nome chamava-se Partido Socialista Português

Como é possível dar este tiro de canhão em ambos os pés, ao subscrever e aprovar hoje por unanimidade na Assembleia da Republica esta moção de censura?: 

«Três anos passados sob o manto do Pacto de Agressão que PSD, 
PS e CDS subscreveram, a obra de destruição do País e das 
condições de vida dos portugueses está à vista, … 

A mais grave situação nacional desde os tempos do fascismo 

torna indesmentível o retrocesso económico e social a que 
conduziu a política de direita executada nos últimos 37 anos 
por sucessivos governos, agravada nos últimos anos pela 
execução dos PEC e do Pacto de Agressão assinado por PS, 
PSD e CDS com a troica estrangeira do FMI, BCE e Comissão Europeia.»


Pois o PS acaba agora de fazê-lo.

quinta-feira, maio 29

A Queda do Socialismo na Europa

Analise acutilante, certeira e de leitura indispensavel para os crentes cegos dos amanhãs que cantam, por José Mendonça da Cruz


A nossa comunicação social distraiu-se do país e do governo para centrar-se numa espuma mais próxima dos seus «afectos»: a celebração e condução ao trono do novo herdeiro, o salvador das suas preferências e deleite. Quando, por momentos, a nossa comunicação social olha a Europa, entoa em coro as mesmas banalidades politicamente correctas que a impedem de identificar acontecimentos e tendências. Diz que a Europa está em risco, vê eurocépticos e neonazis em todo o lado.
O que a nossa comunicação social não vê, é o mais importante: o consistente declínio dos socialistas. O Partido Popular Europeu perdeu deputados, tal como os perdeu o grupo socialista S&D (curiosa sigla), mas no Parlamento Europeu saído das eleições de 25 de Maio o centro-direita e a direita (conservadores, democratas-cristãos, liberais) têm a maioria absoluta.

O declínio do socialismo começou há anos e a sua passagem ao caixote de lixo da história é uma tendência consistente. Desde 2008 que os socialistas europeus esperaram em vão amealhar à conta de uma crise do capitalismo. O que os eleitores lhes disseram, em vez disso, foi que uma crise do capitalismo, da economia de mercado - da liberdade, em suma - se cura com capitalismo melhor, mais mercado na economia e a preservação da liberdade. Espanha, Irlanda, Alemanha, e a maioria dos países de Leste (mais lembrados dessa face totalitária do socialismo que ainda encanta 10% de portugueses) fortaleceram a vitória conservadora na Europa. Na França que tanto alimentou as bibliotecas e as pulsões jacobinas da nossa esquerda, o PC desapareceu há muito e os socialistas foram reduzidos a uns piedosos 14%. Bem pregou Manuel Valls, o socialista-não-socialista convocado por Hollande em desespero, que o PSF devia retirar «socialiste» do nome, porque o conceito é «arcaico», que o PSF devia deixar de ser de esquerda, que é «utópica» e «pomposa», que a economia de mercado e a globalização são um «adquirido civilizacional». Nem assim. E, no entanto, o programa de governo de Valls (os cortes de despesa e de IRC, a revisão das leis laborais, a aposta no investimento privado) faria vomitar o PS português. Como o faria vomitar o programa do Partito Democratico italiano de modernização da economia e as propostas de Matteo Renzi, outro socialista-não-socialista, líder do único partido europeu de centro-esquerda que pode gabar-se de uma vitória de 40%.

... e em Portugal, com o devido atraso

Em Portugal, os eleitores hesitam: ao fim de 3 anos de cortes e austeridade resultantes da má gestão socialista, 31% de 35% de eleitores deram ao PS uma «vitória de Pirro» (para quê contradizer Soares sobre o tema?) que o PS comemorou com uma guerra intestina. O PS analisou os resultados e, embora proclame para consumo externo que a direita teve uma «derrota estrondosa», que sofreu uma «hecatombe», para dentro tem a alarmada consciência de que é a aliança PSD/CDS que governa, e que a governação dá muitas oportunidades (a quem tenha a vontade e a competência para as aproveitar) de captivar muito da indiferença e do protesto da abstenção, e muito da irritação virtuosa do voto Marinho Pinto. É certo que há muito por fazer na reforma da administração pública, no emagrecimento do Estado, na desarticulação dos interesses instalados, no saneamento da burocracia, na reformulação de um fisco voraz e abusivo, na reforma da nossa caricatura de justiça. Mas os indicadores económicos começam a indiciar sucessos na política económica e financeira, e um rigor na gestão de dinheiros públicos que andava esquecido há muito. Acresce que muitas das medidas do executivo (o Banco de Fomento, a maior responsabilização no recurso a fundos comunitários, a prioridade ao investimento em portos e ferrovia, a promessa do licenciamento zero, a promessa de um Simplex a sério) são coerentes e apontam para as empresas, as exportações e a iniciativa privada. Apontam, em suma, para um país moderno, que não pode ser socialista.
O PS finge que não sabe -mas sente - que o seu ideário do séc. XX é estranho e choca de frente com o mundo do séc. XXI. Os socialistas portugueses iludem a questão falando de «políticas de crescimento» e «políticas para as pessoas», chavões sem sentido porque não há dinheiro para pagá-los. Pior, essas políticas foram tentadas por Sócrates, com o investimento público irresponsável que levou o país ao resgate de emergência e à austeridade. Ou seja, verificámos dolorosamente que essas políticas não conseguiram crescimento e prejudicaram gravemente os portugueses.
Margaret Thatcher foi cruel ao dizer que o socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros. A «solidariedade», outro chavão socialista para referir o dinheiro dos outros, também não virá da Europa. Não virá da Europa, sobretudo, nessa acepção de dinheiro a fundo perdido para ser gasto por quem não produz. Na Europa saída das eleições de 25 de Maio as políticas perdulárias não têm hipótese nenhuma. Não têm hipótese os sonhos excêntricos de reestruturação da dívida, e não teriam hipótese se alguém as levasse a sério as 80 irresponsáveis propostas de cortar receita e aumentar despesa.

Uma política má continua a ser má - mesmo com mais aptidões de salão e (ainda) melhor imprensa 

Mas se a Europa não autoriza ilusões e fantasias, se o tratado orçamental está assinado por antigos e actuais partidos de governo, não resulta bastante indiferente que em São Bento esteja este governo ou um governo socialista? Em desespero de causa, a comunicação social cor-de-rosa e alguma inteligência mais complacente tentam fazer passar esta mensagem. É uma mensagem falsa e perigosa.
Ao PS falta, primeiro, pessoal técnico de excelência. Vale a pena fulanizar um pouco e pensar o que seria preferível. Seria preferível ter ao leme das Finanças a secura de Vítor Gaspar, ou um Campos e Cunha que se retiraria ao primeiro anúncio de gastos criminosos? Seria preferível ter nas Finanças a segurança de Maria Luís Albuquerque, ou outro independente disposto a ser o pior ministro da Europa até à superveniência do 2º resgate? Seria preferível entregar a gestão do crédito público a João Moreira Rato ou a João Galamba? A Economia está bem nas mãos de Pires de Lima, ou estaria melhor nas de Eurico Brilhante Dias? A Saúde estaria melhor com Paulo Macedo ou com Carlos Zorrinho? O PS não tem bons quadros (o PS lamenta isso mesmo, internamente).

Mas não é indispensável fulanizar. É necessário, acima de tudo, constatar que os socialistas estão sem ideário crível, não têm políticas originais nem boas, só antigas e perniciosas. A direita precisa de insistir no facto de que a gestão socialista já deu provas bastantes de incompetência; que é a direita, e não a esquerda, que está aggiornata com a economia de mercado e o mundo globalizado de hoje - são o seu mundo; que é a direita, e não a esquerda, que tem as aptidões de gestão para dar sustentabilidade ao Estado Social, que, aliás, a esquerda arruinou. A comunicação social cor de rosa diz-nos que o putativo novo líder do PS, António Costa, é o messias e traria um novo mundo. Sempre nos disse, aliás, que Costa foi «o melhor ministro da Administração Interna da democracia» (e Cravinho «o campeão do combate à corrupção» - outra boa graça), embora nunca nos tenha explicado porquê. Mas Costa seria mais do mesmo. O socialismo não é solução, nem progresso. O socialismo é passado.
Há dois programas políticos bem próximos bem ilustrativos do que é uma governação socialista.
O primeiro, é de autoria de Sócrates. Com o seu enorme dinamismo, Sócrates investiu muito dinheiro dos contribuintes nas energias renováveis. A vontade de ir contra o mercado, a mania dos mundos novos, as proclamações de «modernidade», conduziram a um sistema que, por um lado, proporciona às empresas aliciadas lucros perenes e inexplicáveis, e, por outro, submete os consumidores às mais altas tarifas da Europa e a regras segundo as quais têm que pagar mais quando gastam menos.
O segundo exemplo, é o que António Costa se propõe fazer para «rentabilizar» a Carris e o Metro. Para os socialistas, não existem empresas deficitárias, existem apenas oportunidades de engenharia financeira. E, assim, Costa propõe-se entregar a Carris e Metro contribuições da Emel; mais o monopólio e as receitas dos outdoors de Lisboa, restritos a estações e material circulante; mais uma parcela do IMI dos prédios com acesso privilegiado a transportes; mais uma parcela das receitas do impostos sobre produtos petrolíferos. Este projecto de roda de dinheiros é inteiramente artificial, é estranho à economia, promete burocracia e confusão, dispensa toda a prudência na gestão dos transportes públicos e garante uma enorme opacidade no escrutínio dos gastos públicos.
A primeira política - a de Sócrates - e a outra - a de Costa - têm três coisas em comum: são medularmente socialistas, absolutamente ruinosas, e de uma irresponsabilidade ululante. É obrigatório pensar que são ululantemente irresponsáveis. Porque se, por absurdo, não fossem ululantemente irresponsáveis seriam outra coisa muito feia.

E não vale a pena pintar de papão a Europa

A esquerda imaginou-se num pedestal de virtudes políticas, sociais e culturais, e essa ilusão mantem-na. Sendo assim, a perda de terreno na Europa atribui-a a forças obscuras de neonazis, xenófobos, racistas, inimigos da Europa e da democracia, e extremistas (só os de direita, claro), sustentadas pela ignorância dos povos que o socialismo já não ilumina. Mas não é nada disso. São apenas terrores exagerados, sustos que têm sempre boa imprensa. O que entrou no Parlamento Europeu, sob forma de novos membros excêntricos ou desalinhados, foi uma série de avisos por parte dos eleitores da Europa: o aviso de que há muita gente farta dos passos dados em frente sem audição dos eleitorados nacionais; o aviso de que há muita gente farta do relativismo cultural que põe os valores europeus a par com práticas da barbárie; o aviso de que há muita gente farta da imigração que não só recusa a integração como pratica a hostilidade; o aviso de que há muita gente farta de políticas fracturantes que desarticulam as famílias, envelhecem as sociedades e empobrecem os países; o aviso de que há muita gente farta das estranhas disposições impostas por burocratas longínquos; o aviso de que há muitos que se sentem nacionais primeiro, e europeus só depois. Pode haver, de facto, gente retrógrada, xenófobos, proteccionistas. Mas não são monstros, nem fantasmas. São só vontades expressas democraticamente e que exigem respostas políticas. Nenhuma delas é de esquerda.

sábado, maio 17

Histórias do estatismo em acção: França


Também os franceses padecem desta terrível doença do socialismo, fatal para as economias, desastrosa para a vida das pessoas, e a sua economia outrora pujante parece querer seguir agora o caminho da Venezuela.

Segundo o recente decreto do "patriotismo económico" ( só a terminologia utilizada já dá vontade de rir), o Ministro socialista da Economia Arnaud Montebourg poderá a seu bel prazer bloquear as aquisições de empresas francesas por empresas estrangeiras, nos sectores julgados "estratégicos" (quais são eles não se sabe). 

Em três penadas um atentado:

1. ao direito de propriedade
2. aos pricipios fundadores da construção da Comunidade Europeia,
3. ao principio da livre circulação de capitais e bens na Comunidade,
4. à livre concorrencia entre empresas.

Em 2013 o investimento estrangeiro baixou de 77% em França, comparando com os +392% de crescimento na Alemanha. Imagina-se o que será em 2014.

A Europa afinal só serve para encher a boca, e a Comissão Europeia fica queda e muda, porque são os países grandes que lhes pagam a ração.

(post dedicado a todos aqueles que vão votar no dia 25 num Parlamento Europeu que tem a característica original de não ter nas suas competências o poder da iniciativa legislativa, limitando-se a discutir sovieticamente e depois carimbar as ordens duma Comissão Europeia totalmente composta por políticos não eleitos. Como retrato da democracia não pode ser melhor. Em Portugal muito especialmente, estas eleições estão a servir para promover económicamente meia duzia de palhaços úteis, a quem ninguém de juizo daria emprego, e acessóriamente a branquear a actuação do governo que nos levou à insolvência)

segunda-feira, maio 5

Restruturar o Estado terá algo a ver com isto. Ou não?

Depois das Fundações vem os Observatórios:

Observatório do medicamento e dos produtos da saúde
Observatório nacional de saúde
Observatório português dos sistemas de saúde
Observatório da doença e morbilidade (...se só para a saúde são 3 para a doença 1 é pouco!!!)
Observatório vida
Observatório do ordenamento do território
Observatório do comércio
Observatório da imigração
Observatório para os assuntos da família
Observatório permanente da juventude

Observatório nacional da droga e toxicodependência
Observatório europeu da droga e toxicodependência
Observatório geopolítico das drogas (....mais 3!!!)
Observatório do ambiente
Observatório das ciências e tecnologias
Observatório do turismo
Observatório para a igualdade de oportunidades
Observatório da imprensa
Observatório das ciências e do ensino superior
Observatório dos estudantes do ensino superior

Observatório da comunicação
Observatório das actividades culturais
Observatório local da Guarda
Observatório de inserção profissional
Observatório do emprego e formação profissional (...???)
Observatório nacional dos recursos humanos
Observatório regional de Leiria (...o que é que esta gente fará?)
Observatório sub-regional da Batalha (...deve observar o que o de Leiria deveria fazer?)
Observatório permanente do ensino secundário
Observatório permanente da justiça

Observatório estatístico de Oeiras (...deve ser para observar o SATU!!!)
Observatório da criação de empresas
Observatório do emprego em Portugal (...este é mesmo brincadeira!!!)
Observatório português para o desemprego (...este deve ser para "espiar" o anterior!!!)
Observatório Mcom
Observatório têxtil
Observatório da neologia do português (...importante para os acordos "Brasilaicos-Portuenses" e mudar a Estória deste Brasilogal (!!!)
Observatório de segurança
Observatório do desenvolvimento do Alentejo (...este deve ser para criar o tal deserto do Sr. "jamé"!!!)
Observatório de cheias (...lol...lol...)

Observatório das secas (...boa...)
Observatório da sociedade de informação
Observatório da inovação e conhecimento
Observatório da qualidade dos serviços de informação e conhecimento (...mais 3!!!)
Observatório das regiões em reestruturação
Observatório das artes e tradições
Observatório de festas e património
Observatório dos apoios educativos
Observatório da globalização
Observatório do endividamento dos consumidores (...serão da DECO?)

Observatório do sul Europeu
Observatório europeu das relações profissionais
Observatório transfronteiriço Espanha-Portugal (...o que é estes fazem?)
Observatório europeu do racismo e xenofobia
Observatório para as crenças religiosas (...gerido pelo Patriarcado com dinheiros públicos?)
Observatório dos territórios rurais
Observatório dos mercados agrícolas
Observatório dos mercados rurais (...espectacular)
Observatório virtual da astrofísica
Observatório nacional dos sistemas multimunicipais e municipais (...valha-nos a virgem!!!) 

Observatório da segurança rodoviária
Observatório das prisões portuguesas
Observatório nacional das diabetes
Observatório de políticas de educação e de contextos educativos
Observatório ibérico do acompanhamento do problema da degradação dos povoamentos de sobreiro e azinheira (lol...lol...)
Observatório estatístico
Observatório dos tarifários e das telecomunicações (...este não existe!!! é mesmo tacho!!!)
Observatório da natureza
Observatório qualidade (...de quê?)
Observatório quantidade (...este deve observar a corrupção descarada)

Observatório da literatura e da literacia
Observatório nacional para o analfabetismo e iliteracia
Observatório da inteligência económica (hé! hé!! hé!!!)
Observatório para a integração de pessoas com deficiência
Observatório da competitividade e qualidade de vida
Observatório nacional das profissões de desporto
Observatório das ciências do 1º ciclo
Observatório das ciências do 2º ciclo (...será que a Troika mandou fechar os do 3º, 4º e 5º ciclos)
Observatório nacional da dança
Observatório da língua portuguesa

Observatório de entradas na vida activa
Observatório europeu do sul
Observatório de biologia e sociedade
Observatório sobre o racismo e intolerância
Observatório permanente das organizações escolares
Observatório médico
Observatório solar e heliosférico
Observatório do sistema de aviação civil (...o que é este gente fará?)
Observatório da cidadania
Observatório da segurança nas profissões 

Observatório da comunicação loca l (...e estes???)
Observatório jornalismo electrónico e multimédia
Observatório urbano do eixo atlântico (...minha nossa senhora!!!)
Observatório robótico
Observatório permanente da segurança do Porto (...e se em cada cidade fosse criado um?)
Observatório do fogo (...que raio de observação!)
Observatório da comunicação (Obercom)
Observatório da qualidade do ar (...o Instituto de Meteo e Geofisica não faz já isto?)
Observatório do centro de pensamento de política internacional
Observatório ambiental de teledetecção atmosférica e comunicações aeroespaciais (...este é bom!!! com
o nosso desenvolvimento aero-espacial!!!)

Observatório europeu das PME
Observatório da restauração
Observatório de Timor-leste
Observatório de reumatologia
Observatório da censura
Observatório do design
Observatório da economia mundial
Observatório do mercado de arroz
Observatório da DGV
Observatório de neologismos do português europeu

Observatório para a educação sexual
Observatório para a reabilitação urbana
Observatório para a gestão de áreas protegidas
Observatório europeu da sismologia (...o Instituto de Meteo e Geofisica não faz isto também???)
Observatório nacional das doenças reumáticas
Observatório da caça
Observatório da habitação
Observatório Alzheimer
Observatório magnético de Coimbra